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A 1ª impressão, e que fez acelerar meu coração, foi quando o comandante do avião avisou sobre as Pirâmides. Aquilo foi demais de bom!
A 2ª foi ver a cidade do Cairo de cima e ver um mar de prédios cor de tijolo, em contraste com os modernos prédios ao longo do Rio Nilo. Também me impactou o trânsito sem nenhuma regra; os seus bi-bis; seus carros caindo aos pedaços… Mais para o interior do país, as casas cobertas com galhos de árvores. Eu perguntei: e quando chove? resposta: só chove 5 minutos por ano…
Me doeu mesmo foi ver a pobreza da população; as crianças desassistidas e sujinhas e naquela famosa fábrica de tapetes começando a tecer para os turistas a um estalo de dedo do ‘chefe’. A partir daí, costumo dizer que, quem é pobre aqui no Brasil não sabe o que é ser pobre no Egito. Mas devemos separar essas impressões e vermos a beleza indescritível dessa terra magnífica que nos acolhe tão bem.
Eu desembarquei no cairo no início da madrugada, e enquanto a aeronave orbitava preparando-se para a aterrissagem, senti uma emoção inteligente, Não sei se é possíevl isso. Mas nada de tocar o coração. Mas impressão impactante senti mesmo no trajeto até o apartamento. Tive péssima impressão (pobreza, desleixo) achei que nada era asfaltado. Pensava que iria para uma capital feito sampa, Nova York, Tóquio, espera encontar luzes neon em profusão e brilhos tal qual Las Vegas…
Alguém pércebeu que quando queima uma luz de freio, o lanterna, ou pisca, o condutor não pavara para acertar isso, mas se o problema fosse na buizina!!!!!!. aí sim ele iria para o mecânico, ver o que havia acontecido com carro.
Tudo me impressionou muito quando cheguei em cairo pela primeira vez, mas quem me recebeu primeiro, foi o calor, nao estava nem tao quente ,mas o calor veio me recepcionar e me dar as boas vindas, como querendo dizer bem vinda ao cairo, adorei.
depois logo que ingressei no aeroporto ver as placas escritas em arabe, foi o mesmo que alguem me dizer, olha e verdade vc esta em um pais do mundo arabe. tb adorei, foram sensacoes fantasticas e unicas. Depois a terceira impressao foi o cheiro, senti um cheiro muito forte, que nao era tao ruim, mas tb nao era bom, era um cheiro de gente, muita gente, um cheiro tipico, mas nao me assustou, pq eu estava com o meu coracao aberto pra uma nova vida. logo que sai do aeroporto e entrei no carro, comecei a passar pela estrada e primeiras ruas, me senti em casa e senti um clima muito familiar, como se realmente eu ja estivesse estado ali antes,
Hoje sou apaixonada por esse pais e sempre quando estou negociando preco ou comprando algo, sempre digo pra eles ana mastreeia, porque e verdade, sinto o egito no meu sangue, nas minhas veias, nao e perfeito esta longe disso, mas gosto demais deste pais. amo a sua beleza, a sua simplicidade e a sua seguranca tb, nao sei como conseguem mas eles fazem funcionar, vc consegue se sentir mais seguro aqui.
Gostaria de relatar a todos os participantes, a situacao extremamente desagradavel que passei aqui em cairo. Minhas filhas estao em recesso escolar, duas criancas uma com 11 e outra com 6 anos, caimos na besteira de procurar um parque para ir e nos deslocamos de maadi para a 6 de outubro, um lugar aparentemente civilizado, ate entao.Fomos ao dreams parque, que esta equivocado ate no nome, pois deveria se chamar pesadelo, tomei o cuidado de apesar de estar fazendo um calor de 40 graus, fui com uma blusa de manga comprida, calca jeans e tenis, para nao “afrontar” as pessoas, nao entendi nada pq logo assim que entramos, fomos atacados, repito, literalmente atacados pelos frequentadores assim como nos, nos cercavam riam da minha cara, da minha e da minha filha, nos diziam palavras horriveis em arabe e em ingles, simulavam agressoes fisicas, e se prostavam na nossa frente, nao nos deixando passar, foi uma experiencia horrivel que nao desejo para ninguem, entramos e saimos em menos de 20 minutos, nao conseguimos utilizar nenhum brinquedo, ja que nao havia nenhum policial e muito menos seguranca particular do parque, gostaria de entender, porque tanta falta de respeito e tanta falta de educacao, em querer agredir verbalmente pessoas que nao fizeram nada a eles, odio, discriminacao gratuita e sem proposito, nao posso generalizar, mas so posso concluir que os egipicios em regra sao mal educados e grosseiros, me senti ultrajada e eu e minhas filhas saimos do parque chorando, nao posso nem repetir aqui as palavras que nos diziam.porque? porque eu nao uso veu? porque eu nao acho que o meu corpo criado por Deus seja sujo? Fiquei tao traumatizada que pretendo cumprir o meu prazo de contrato aqui e nunca mais voltar, o egito e lindo, mas os egipicios deixam muito a desejar, isso eu sendo gentil, porque uma mulher sozinha com duas criancas aqui nao e nada, nao se deve ao respeito, a nao ser que ela esteja coberta dos pes a cabeca? meu marido trabalha viajando, e por isso nao pode sair conosco sempre.
Mas nada justifica falta de educacao com o semelhante, falta de respeito e vandalismo, porque aqui eles precisam ainda evoluir em muitas coisas, mas o que mais falta e respeito ao proximo, principalmente quando esse proximo e uma mulher, que para eles aqui nao e nada, alem de parideira de filhos, de preferencia homens, pra que o pai nao sofra a “decepcao de ter uma filha” com razao coitado pq ele sabe que do mesmo jeito que discrimina, a filha vai ser discriminada tb
O Egito e lindo tudo de bom, bonito e barato, mas pra passar e ir embora, pq ninguem te avisar que antes de viver aqui vc precisa de um curso de sobrevivencia na selva.
abracos
Wally pergunta:
* Cristiane, você faz o que? Digo está trabalhando, estudando ou algo assim?
* Vocês pensam em ter filhos?
Cris responde:
Entao…um dos motivos que nos levou a sair do Brasil foi a vida louca que a gente levava em Sampa. Eu trabalhava em dois empregos, exercia duas profissoes distintas e trabalhava em dois lugares super longe da nossa casa. Eu saia de casa as 6 da manha e voltava as 10 da noite. 6 dias por semana. A qualidade da minha vida de casada era sofrivel. Um dos motivos que nos trouxe ao Egito era que eu parasse de trabalhar, e nos tivessemos uma vida de casados mais calma. Aqui ainda e possivel so um dos dois trabalhar e conseguirmos viver. E pode parecer maluco, para uma mulher que trabalhava feito doida, vir para um pais e virar dona de casa. Todo mundo que me conhece no brasil disse que eu nao aguentaria nem dois anos. Mas confesso que estou bem feliz com minha nova vida. Nao quero mudar nao. Tomo cafe da manha com meu marido, cuido da casa, faco coisas que sempre gostei, artesanato, tapecaria, cozinho pra caramba, que sempre adorei mas nunca tive tempo, ai ele chega la pelas 6 e meia da tarde, comemos juntos e passamos o resto da noite fazendo alguma coisa juntos. Ele tem um dia de folga na semana e podemos tirar o dia para fazer o que der na telha. Sabe, eu acho que parte disso ter funcionado NO MEU CASO, e que tenho 41 anos, trabalhei como doida por 22 anos, fiz carreira, me realizei, fiz meu pe de meia, ap, carro, viajei bastante, ou seja, fiz bastante coisa, so nao tinha casado ainda e vivido o papel de esposa. Isso chegou tarde na minha vida, e agora estou exercendo isso com muito prazer e tentando fazer como eu fazia na minha vida profissional, dar o meu melhor…acho que se a Cristiane de 20 anos atras tivesse vindo ao Egito nessas condicoes dificilmente daria certo.
Sobre filhos… entao…qundo moravamos no brasil o Mohamed nao queria ter filhos pois ele tem muito medo da falta de seguranca de la, e eu por minha vez nao queria pela vida louca que eu levava. Ser mae nunca foi o grande sonho da minha vida, ate porque tenho uma historia de vida(que depois posso contar) em que ja exerci esse papel muito cedo, indiretamente. Quando mudamos para ca, a situacao mudou, e resolvemos tentar, mas eu achava que demoraria muito, pois ja tinha 40 anos. Engravidei tres meses depois de chegar aqui, mas perdi o bebe. Passei muito mal, fui hospitalizada, e fiquei bastante medrosa em tentar de novo. Estava com uma gestacao super tranquila, bem disposta, mas tive um aborto espontaneo, uma gravidez anembrionaria ( ha a concepcao mas o embriao nao se desenvolve), que eu sei que pode acontecer em mulheres de qualquer idade, mas sei tambem que gravidez na minha idade e mais complicado. E resolvemos nao tentar de novo, para desespero da familia…rs E tambem agora, morando aqui ha mais tempo, tambem acho complicado criar um filho AQUI com um pai e mae de culturas tao diferentes. Entre eu e o Mohamed nos conseguimos tirar tudo isso de letra, mas se vier filho, tenho medo de complicar nossa relacao
Wally pergunta:
* Como e quando voce conheceu seu marido?
* Por quanto tempo namoraram antes de casar?
Cris responde:
Olha, nao conheci meu marido pela net nao.
Eu tinha verdadeira loucura pelo Egito desde menina, e o sonho de conhecer as piramides…Consegui realizar esse sonho em fev/2006, vim ao Egito a turismo. Conheci meu marido aqui, pois ele trabalhava na empresa turistica receptiva daqui. Fiquei dez dias e nao rolou absolutamente nada, ele sempre muito profissional, mas muito amavel comigo. Fui embora e trocamos email. Comecamos a nos corresponder por email, ficamos amigos, dois meses depois pintou um clima. Ai o clima esquentou e eu disse que a gente precisava se encontrar para ver o que era isso que tava rolando. Ele tentou programar uma viagem ao Brasil para junho/06, nao conseguiu visto, como todas sabem e muito dificil eles conseguirem visto para sair do pais, a menos que tenham MUITA grana no banco. E olha que eu liguei na nossa embaixada, falei com a tal da Madeleine, mandei email para o Minist. das Relacoes Exteriores em Brasilia, fiz o diabo, mas nao deram o visto a ele. Entao eu fui de novo ao Egito em JUlho/06, e nos dois fomos para Marsa Matrouh, uma praia linda no norte do Egito, distante uns 200km de Alexandria. Ficamos 10 dias juntos, nao casamos, conversamos sobre o que iriamos fazer, ele ja tinha me pedido em casamento, mas la eu tive a certeza que queria casar com ele. Voltei ao brasil sem ainda decidirmos o que iriamos fazer, pois ele nao queria morar no brasil e eu nao queria morar no Egito. Apos uns dias decidimos, ele viria morar no brasil. Ai comecou a odisseia das familias. E resolvemos nos casar em dez/06, pois eu so poderia tirar ferias de trabalho novamente em dez, e eu teria que casar no Egito para fazer a papelada na embaixada e ele poder vir para o brasil como marido e ter visto de entrada. Fui em dez/06 e casamos. Fizemos a odisseia da papelada e em jan/07 viemos para o brasil. Moramos 9 meses no brasil e decidimos vir morar no Egito.
Wally pergunta:
- O que voce achou ou acha mais dificil com relaçao a sua adaptaçao no Egito?
- O que voce mais aprecia na cultura egipcia?
Olha, tem muitas coisas que eu gosto na cultura dos egipicios, mas se eu tiver que responder assim, de bate pronto…a palavra chave- COMPROMISSO.
No caso, do homem, ok? O homem egipcio (vamos dizer assim, os homens bons, normais, ta? nao os canalhas…rs) tem COMPROMISSO como linha de conduta. Ele cresce com o ensinamento que ele vai ficar grande, casar e formar familia, e isso e o normal da vida. Ele tem o compromisso em honrar e cuidar da familia. Ele tem o compromisso de cuidar de pai e mae quando estes ficarem mais velhos, e das mulheres da familia se estas precisarem. Enfim, ele nao tem ‘medo de se envolver, medo de se machucar, medo de se amarrar…’ qual a brasileira que nunca ouviu isso antes?
O que foi mais dificil na minha adaptacao…VARIAS COISAS…e dificil ate hoje, e ja moro aqui ha 15 meses…rs Posso dizer que estou bem adaptada, mas ainda nao gosto de muita coisa (mesmo assim, te digo que minha vida de casada e melhor aqui do que no brasil, nao pretendemos morar la novamente). Logo que viemos morar aqui, morei por 9 meses na casa da minha sogra, ate meu marido conseguir levantar $ para comprar nosso ap. Eu ja nao sou nenhuma mocinha, ja morava sozinha ha uns 15 anos, virginiana, toda metodica, imagina…de repente morar na casa da sogra, onde todos os outros filhos vem a toda hora visitar, ou seja, casa sempre cheia…todos eles, inclusive minha sogra sao uns amores comigo, mas foi muito dificil esta fase, eles se adaptaram muito mais comigo do que eu a eles…Ha habitos na cultura deles que eu nao gosto, nao sou acostumada, e que para elas (mulheres) e super normal. Outras coisas que nao gosto ate hoje, e me incomoda muito…eles nao fazem fila, adoram dar uma de Gerson, querem sempre levar vantagem, na maioria das vezes as mulheres (dentro do onibus ou metro) nao cedem lugar a outras mulheres mais velhas ou com bebes…isso me deixa p da vida…ja briguei com uma adolescente no metro por causa disso…os vendedores do suk sempre tentam te enganar nas contas… os comerciantes tao sempre de cara amarrada e trabalham de ma vontade, tem coisas que nao entendo, se ele esta ali para trabalhar, e a falta de emprego aqui e gritante, por que ele nao trabalha direito???…entre outras coisas…esses pequenos habitos do dia a dia da populacao e o que mais me incomoda…
Fiquei 2 ou 3 dias la e não vi e nem encontrei com nenhum pãozinho normal redondo como o que a gente come aqui no nosso país. Fiquei desesperado, queria o pão egípcio, mas não achei, e no final fiquei comendo pãozinho com manteiga com tanta satisfação!Mas aquela hora que você come pãozinho quente com manteiga com uma xícara de café com leite, você esquece todos os pãezinhos do mundo inteiro. A comida é muito importante na nossa vida, há comida que faz você feliz e outra que faz você triste, há comida que faz você doente ou outra que faz voce saudável. Todos esses motivos são importantes na hora da escolha do que vai satisfazer suas necessidades de alimentação. E também o preço da comida é um motivo importante na hora de determinar o que você irá comer. No Egito talvez esse tema seja um pouco complicado, porque 50% da comida que vende na rua e o povo come no dia a dia está bem suja, e 30% faz mal para a saúde, e 10% voce pode comer e depois tem que tomar um comprimido bem forte para limpar o que você ingeriu, e 10% são comidas de restaurantes muito caros que nem dá para chegar perto. E esses motivos faz a comida feita em casa ficar em primeiro lugar na escolha entre as opções de alimentação. Mas no Brasil esse assunto é bem diferente, ou melhor, bem ao contrário. As frutas, verduras, até a comida dos restaurantes são frescas e limpas, não há frutas estragadas no mercado, pode ter até fruta doce e outra amarga, mas sempre frescas. E os preços dos alimentos são bem acessíveis, não e como aqui no Egito, você paga o preço de uma vaca inteira para comer um pedaço de carne!
Nasceu o sol, e a luz entrou pelas cortinas, era uma luz do sol diferente do que eu já tinha visto antes, era mais forte, mais clara, mais quente. Olhei pela janela e vi uma vista bonita, era uma vista de muitos carros que estavam estacionados de forma organizada, e havia árvores e montanhas. Tomamos um café da manhã brasileiro, bem brasileiro, comemos pãozinho com manteiga e bebemos café, e comemos algumas frutas que eu nunca tinha conhecido antes. Depois de um pouco sumiu o sol e chegaram as nuvens com chuva. Virou inverno, que era verão…Eu gostei da natureza do Brasil, as cores das casas, das árvores, a cor do céu, o cheiro no ar depois da chuva…tudo isso foram coisas que fizeram parte da minha adaptação ao Brasil. Depois de um tempo comecei a encontrar com um povo que só falava uma língua, na padaria, no ônibus, no metrô, na televisão, até no banco. O problema é que eles achavam que é normal falar uma língua só, e querem que você entenda tudo o que eles falam. Eu tentava entender o que eles queriam dizer através do movimento do rosto, ou pelo sorriso ou pelo movimento dos braços, mas deveria aprender mesmo essa língua do Brasil para entender o que eles queriam dizer. Mas eu senti uma vontade muito grande de aprender essa língua para saber o que esse povo falava quando abria a boca…. Fomos para muitos lugares no Brasil, serra, montanha, praia, rios, mercados, feiras de artesanato, monumentos, vi coisas lindas e lugares maravilhosos, vi também 25 de Marçco, Shopping Ibirapuera, Av. Paulista…e sempre ficava admirado com as cores e a organização dos lugares… Sobre os restaurantes, e o que esse povo come, e como eles apresentam a comida, eu tenho muita conversa…rs
Gostei da idéia de viajar para fora do Egito com a mulher que eu amava, para descansar um pouco do meu trabalho que já durava 4 anos, sem férias. Eu sempre viajava dentro do Egito por causa de meu trabalho como tourlleader, mas essa viagem seria bem diferente… Deixei minha família querida com minhas roupas molhadas das lágrimas de minha mãe, irmã e irmãos, e também de minha esposa que estava viajando comigo. Mas eu estava com o coração calmo porque minha família tinha fé e sabiam que eu estava viajando com a mulher que meu coração tinha escolhido. Somente a saudade que ia queimar dentro do peito. Entrei no avião com a roupa ainda molhada, pois minha esposa ainda estava chorando. O avião começou a levantar vôo do chão do meu país, e era a primeira vez que eu iria voar tantas horas, e para tão longe… Duas horas antes da chegada ao Brasil, eu pensei “Se o Brasil for um país ruim ou se eu não gostar de viver lá, vou ter que pegar esse bicho de novo, e passar todas essas horas voando de novo…oh meu Deus! vai ser muito difícil eu decidir voltar para o Egito de novo..” Acho que esse foi um dos motivos também que me fizeram ficar lá por 9 meses…rsChegamos ao Aeroporto Internacional de Cumbica, era noite, encontramos com a família de minha esposa, levaram a gente para casa e foram embora.
