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A 1ª impressão, e que fez acelerar meu coração, foi quando o comandante do avião avisou sobre as Pirâmides. Aquilo foi demais de bom!

A 2ª foi ver a cidade do Cairo de cima e ver um mar de prédios cor de tijolo, em contraste com os modernos prédios ao longo do Rio Nilo. Também me impactou o trânsito sem nenhuma regra; os seus bi-bis; seus carros caindo aos pedaços… Mais para o interior do país, as casas cobertas com galhos de árvores. Eu perguntei: e quando chove? resposta: só chove 5 minutos por ano…

Me doeu mesmo foi ver a pobreza da população; as crianças desassistidas e sujinhas e naquela famosa fábrica de tapetes começando a tecer para os turistas a um estalo de dedo do ‘chefe’. A partir daí, costumo dizer que, quem é pobre aqui no Brasil não sabe o que é ser pobre no Egito. Mas devemos separar essas impressões e vermos a beleza indescritível dessa terra magnífica que nos acolhe tão bem.

Outra coisa que me impressiona é o costume do povo egípcio andar no meio da rua entre os carros… E isso acontece em todas as cidades… Andando com minha querida cunhadinha Marwa pelas ruas de Luxor, eu fazia de tudo para andarmos nas calçadas e quando via lá estava eu de volta no meio da rua disputando espaço naquelas ruas estreitas…

Eu desembarquei no cairo no início da madrugada, e enquanto a aeronave orbitava preparando-se para a aterrissagem, senti uma emoção inteligente, Não sei se é possíevl isso. Mas nada de tocar o coração. Mas impressão impactante senti mesmo no trajeto até o apartamento. Tive péssima impressão (pobreza, desleixo) achei que nada era asfaltado. Pensava que iria para uma capital feito sampa, Nova York, Tóquio, espera encontar luzes neon em profusão e brilhos tal qual Las Vegas…

O povo é maravilhoso. Calorosos sem serem estabanados. Atenciosos, gentis, …. Mas o trânsito,… Meu DEus! Achava que havia muitas viaturas policiais nas ruas. ledo engando, eram os taxis – lá são alvinegro. Mas o pior ainda estava por vir. ..entremear o pior trânsito do PLANETA. Tive a impressão de qiue todos os motoristas frequentaram a mesma auto escola.
Alguém pércebeu que quando queima uma luz de freio, o lanterna, ou pisca, o condutor não pavara para acertar isso, mas se o problema fosse na buizina!!!!!!. aí sim ele iria para o mecânico, ver o que havia acontecido com carro.

Tudo me impressionou muito quando cheguei em cairo pela primeira vez, mas quem me recebeu primeiro, foi o calor, nao estava nem tao quente ,mas o calor veio me recepcionar e me dar as boas vindas, como querendo dizer bem vinda ao cairo, adorei.

depois logo que ingressei no aeroporto ver as placas escritas em arabe, foi o mesmo que alguem me dizer, olha e verdade vc esta em um pais do mundo arabe. tb adorei, foram sensacoes fantasticas e unicas. Depois a terceira impressao foi o cheiro, senti um cheiro muito forte, que nao era tao ruim, mas tb nao era bom, era um cheiro de gente, muita gente, um cheiro tipico, mas nao me assustou, pq eu estava com o meu coracao aberto pra uma nova vida. logo que sai do aeroporto e entrei no carro, comecei a passar pela estrada e primeiras ruas, me senti em casa e senti um clima muito familiar, como se realmente eu ja estivesse estado ali antes,

Hoje sou apaixonada por esse pais e sempre quando estou negociando preco ou comprando algo, sempre digo pra eles ana mastreeia, porque e verdade, sinto o egito no meu sangue, nas minhas veias, nao e perfeito esta longe disso, mas gosto demais deste pais. amo a sua beleza, a sua simplicidade e a sua seguranca tb, nao sei como conseguem mas eles fazem funcionar, vc consegue se sentir mais seguro aqui.

Gostaria de relatar a todos os participantes, a situacao extremamente desagradavel que passei aqui em cairo. Minhas filhas estao em recesso escolar, duas criancas uma com 11 e outra com 6 anos, caimos na besteira de procurar um parque para ir e nos deslocamos de maadi para a 6 de outubro, um lugar aparentemente civilizado, ate entao.Fomos ao dreams parque, que esta equivocado ate no nome, pois deveria se chamar  pesadelo, tomei o cuidado de apesar de estar fazendo um calor de 40 graus, fui com uma blusa de manga comprida, calca jeans e tenis, para nao “afrontar” as pessoas, nao entendi nada pq logo assim que entramos, fomos atacados, repito, literalmente atacados pelos frequentadores assim como nos, nos cercavam riam da minha cara, da minha e da minha filha, nos diziam palavras horriveis em arabe e em ingles, simulavam agressoes fisicas, e se prostavam na nossa frente, nao nos deixando passar, foi uma experiencia horrivel que nao desejo para ninguem, entramos e saimos em menos de 20 minutos, nao conseguimos utilizar nenhum brinquedo, ja que nao havia nenhum policial e muito menos seguranca particular do parque, gostaria de entender, porque tanta falta de respeito e tanta falta de educacao, em querer agredir verbalmente pessoas que nao fizeram nada a eles, odio, discriminacao gratuita e sem proposito, nao posso generalizar, mas so posso concluir que os egipicios em regra sao mal educados e grosseiros, me senti ultrajada e eu e minhas filhas saimos do parque chorando, nao posso nem repetir aqui as palavras que nos diziam.

porque? porque eu nao uso veu? porque eu nao acho que o meu corpo criado por Deus seja sujo? Fiquei tao traumatizada que pretendo cumprir o meu prazo de contrato aqui e nunca mais voltar, o egito e lindo, mas os egipicios deixam muito a desejar, isso eu sendo gentil, porque uma mulher sozinha com duas criancas aqui nao e nada, nao se deve ao respeito, a nao ser que ela esteja coberta dos pes a cabeca? meu marido trabalha viajando, e por isso nao pode sair conosco sempre.

 
sera que as egipcias por utilizar o veu em um pais cristao, deveriam ser tratadas da mesma forma? falta de respeito e intolerancia? pareciam vandalos sanguinarios, dispostos a nos atacar fisicamente, dignos de pena, ja que se acham mais religiosos e quem tem fe mais que o mundo inteiro. Recomendo as brasileiras, principalmente as apaixonadas por egipcios que pensem bem antes de vir para ca, pq aqui ou voce tem dinheiro para viver em um bairro de estrangeiros, ou voce vai conviver na selva com eles, em todos os sentidos, me desculpem nao estou poupando palavras pq hoje foi a gota de agua, me senti ultrajada. Sou advogada, sou livre, independente nao preciso de um homem ao meu lado para me defender, entao nao aceito que me destratem, me julguem e me humilhem pq nao tenho um ogro do meu lado, pra bater por mim. Fiz uma reclamacao por escrito na administracao, acredito que nao adiante nada, mas so para deixar registrada a minha indignacao. Porque isso vai muito alem de um dos maridos bonitoes aqui que se divertem enquanto as mulheres estao em casa, e estao bem fresquinhos com suas camisetas na beira da piscina, e a mulher de longe olhando o bonitao se refrescar, isso e cultural respeito, respeito tb o fato de as mulheres deles (Deus me livre e guarde) nao poderem sair sozinhas enquanto eles saem para onde com quem e com quais querem, isso tb e cultural.

Mas nada justifica falta de educacao com o semelhante, falta de respeito e vandalismo, porque aqui eles precisam ainda evoluir em muitas coisas, mas o que mais falta e respeito ao proximo, principalmente quando esse proximo e uma mulher, que para eles aqui nao e nada, alem de parideira de filhos, de preferencia homens, pra que o pai nao sofra a “decepcao de ter uma filha” com razao coitado pq ele sabe que do mesmo jeito que discrimina, a filha vai ser discriminada tb

O Egito e lindo tudo de bom, bonito e barato, mas pra passar e ir embora, pq ninguem te avisar que antes de viver aqui vc precisa de um curso de sobrevivencia na selva.

abracos

Wally pergunta:

* Cristiane, você faz o que? Digo está trabalhando, estudando ou algo assim?
* Vocês pensam em ter filhos?

 

Cris responde:

Entao…um dos motivos que nos levou a sair do Brasil foi a vida louca que a gente levava em Sampa. Eu trabalhava em dois empregos, exercia duas profissoes distintas e trabalhava em dois lugares super longe da nossa casa. Eu saia de casa as 6 da manha e voltava as 10 da noite. 6 dias por semana. A qualidade da minha vida de casada era sofrivel. Um dos motivos que nos trouxe ao Egito era que eu parasse de trabalhar, e nos tivessemos uma vida de casados mais calma. Aqui ainda e possivel so um dos dois trabalhar e conseguirmos viver. E pode parecer maluco, para uma mulher que trabalhava feito doida, vir para um pais e virar dona de casa. Todo mundo que me conhece no brasil disse que eu nao aguentaria nem dois anos. Mas confesso que estou bem feliz com minha nova vida. Nao quero mudar nao. Tomo cafe da manha com meu marido, cuido da casa, faco coisas que sempre gostei, artesanato, tapecaria, cozinho pra caramba, que sempre adorei mas nunca tive tempo, ai ele chega la pelas 6 e meia da tarde, comemos juntos e passamos o resto da noite fazendo alguma coisa juntos. Ele tem um dia de folga na semana e podemos tirar o dia para fazer o que der na telha. Sabe, eu acho que parte disso ter funcionado NO MEU CASO, e que tenho 41 anos, trabalhei como doida por 22 anos, fiz carreira, me realizei, fiz meu pe de meia, ap, carro, viajei bastante, ou seja, fiz bastante coisa, so nao tinha casado ainda e vivido o papel de esposa. Isso chegou tarde na minha vida, e agora estou exercendo isso com muito prazer e tentando fazer como eu fazia na minha vida profissional, dar o meu melhor…acho que se a Cristiane de 20 anos atras tivesse vindo ao Egito nessas condicoes dificilmente daria certo.

Sobre filhos… entao…qundo moravamos no brasil o Mohamed nao queria ter filhos pois ele tem muito medo da falta de seguranca de la, e eu por minha vez nao queria pela vida louca que eu levava. Ser mae nunca foi o grande sonho da minha vida, ate porque tenho uma historia de vida(que depois posso contar) em que ja exerci esse papel muito cedo, indiretamente. Quando mudamos para ca, a situacao mudou, e resolvemos tentar, mas eu achava que demoraria muito, pois ja tinha 40 anos. Engravidei tres meses depois de chegar aqui, mas perdi o bebe. Passei muito mal, fui hospitalizada, e fiquei bastante medrosa em tentar de novo. Estava com uma gestacao super tranquila, bem disposta, mas tive um aborto espontaneo, uma gravidez anembrionaria ( ha a concepcao mas o embriao nao se desenvolve), que eu sei que pode acontecer em mulheres de qualquer idade, mas sei tambem que gravidez na minha idade e mais complicado. E resolvemos nao tentar de novo, para desespero da familia…rs  E tambem agora, morando aqui ha mais tempo, tambem acho complicado criar um filho AQUI com um pai e mae de culturas tao diferentes. Entre eu e o Mohamed nos conseguimos tirar tudo isso de letra, mas se vier filho, tenho medo de complicar nossa relacao

Wally pergunta:

* Como e quando voce conheceu seu marido?
* Por quanto tempo namoraram antes de casar?

Cris responde:

Olha, nao conheci meu marido pela net nao.
Eu tinha verdadeira loucura pelo Egito desde menina, e o sonho de conhecer as piramides…Consegui realizar esse sonho em fev/2006, vim ao Egito a turismo. Conheci meu marido aqui, pois ele trabalhava na empresa turistica receptiva daqui. Fiquei dez dias e nao rolou absolutamente nada, ele sempre muito profissional, mas muito amavel comigo. Fui embora e trocamos email. Comecamos a nos corresponder por email, ficamos amigos, dois meses depois pintou um clima. Ai o clima esquentou e eu disse que a gente precisava se encontrar para ver o que era isso que tava rolando. Ele tentou programar uma viagem ao Brasil para junho/06, nao conseguiu visto, como todas sabem e muito dificil eles conseguirem visto para sair do pais, a menos que tenham MUITA grana no banco. E olha que eu liguei na nossa embaixada, falei com a tal da Madeleine, mandei email para o Minist. das Relacoes Exteriores em Brasilia, fiz o diabo, mas nao deram o visto a ele.  Entao eu fui de novo ao Egito em JUlho/06, e nos dois fomos para Marsa Matrouh, uma praia linda no norte do Egito, distante uns 200km de Alexandria. Ficamos 10 dias juntos, nao casamos, conversamos sobre o que iriamos fazer, ele ja tinha me pedido em casamento, mas la eu tive a certeza que queria casar com ele. Voltei ao brasil sem ainda decidirmos o que iriamos fazer, pois ele nao queria morar no brasil e eu nao queria morar no Egito. Apos uns dias decidimos, ele viria morar no brasil. Ai comecou a odisseia das familias. E resolvemos nos casar em dez/06, pois eu so poderia tirar ferias de trabalho novamente em dez, e eu teria que casar no Egito para fazer a papelada na embaixada e ele poder vir para o brasil como marido e ter visto de entrada. Fui em dez/06 e casamos. Fizemos a odisseia da papelada e em jan/07 viemos para o brasil. Moramos 9 meses no brasil e decidimos vir morar no Egito.

Wally pergunta:

- O que voce achou ou acha mais dificil com relaçao a sua adaptaçao no Egito?
- O que voce mais aprecia na cultura egipcia?

 

Cris Responde:
Oi Wally, tudo bem?
Olha, tem muitas coisas que eu gosto na cultura dos egipicios, mas se eu tiver que responder assim, de bate pronto…a palavra chave- COMPROMISSO.
No caso, do homem, ok? O homem egipcio (vamos dizer assim, os homens bons, normais, ta? nao os canalhas…rs) tem COMPROMISSO como linha de conduta. Ele cresce com o ensinamento que ele vai ficar grande, casar e formar familia, e isso e o normal da vida. Ele tem o compromisso em honrar e cuidar da familia. Ele tem o compromisso de cuidar de pai e mae quando estes ficarem mais velhos, e das mulheres da familia se estas precisarem. Enfim, ele nao tem ‘medo de se envolver, medo de se machucar, medo de se amarrar…’ qual a brasileira que nunca ouviu isso antes?

O que foi mais dificil na minha adaptacao…VARIAS COISAS…e dificil ate hoje, e ja moro aqui ha 15 meses…rs Posso dizer que estou bem adaptada, mas ainda nao gosto de muita coisa (mesmo assim, te digo que minha vida de casada e melhor aqui do que no brasil, nao pretendemos morar la novamente). Logo que viemos morar aqui, morei por 9 meses na casa da minha sogra, ate meu marido conseguir levantar $ para comprar nosso ap. Eu ja nao sou nenhuma mocinha, ja morava sozinha ha uns 15 anos, virginiana, toda metodica, imagina…de repente morar na casa da sogra, onde todos os outros filhos vem a toda hora visitar, ou seja, casa sempre cheia…todos eles, inclusive minha sogra sao uns amores comigo, mas foi muito dificil esta fase, eles se adaptaram muito mais comigo do que eu a eles…Ha habitos na cultura deles que eu nao gosto, nao sou acostumada, e que para elas (mulheres) e super normal. Outras coisas que nao gosto ate hoje, e me incomoda muito…eles nao fazem fila, adoram dar uma de Gerson, querem sempre levar vantagem, na maioria das vezes as mulheres (dentro do onibus ou metro) nao cedem lugar a outras mulheres mais velhas ou com bebes…isso me deixa p da vida…ja briguei com uma adolescente no metro por causa disso…os vendedores do suk sempre tentam te enganar nas contas… os comerciantes tao sempre de cara amarrada e trabalham de ma vontade, tem coisas que nao entendo, se ele esta ali para trabalhar, e a falta de emprego aqui e gritante, por que ele nao trabalha direito???…entre outras coisas…esses pequenos habitos do dia a dia da populacao e o que mais me incomoda…

Fiquei 2 ou 3 dias la e não vi e nem encontrei com nenhum pãozinho normal redondo como o que a gente come aqui no nosso país. Fiquei desesperado, queria o pão egípcio, mas não achei, e no final fiquei comendo pãozinho com manteiga com tanta satisfação!Mas aquela hora que você come pãozinho quente com manteiga com uma xícara de café com leite, você esquece todos os pãezinhos do mundo inteiro. A comida é muito importante na nossa vida, há comida que faz você feliz e outra que faz você triste, há comida que faz você doente ou outra que faz voce saudável. Todos esses motivos são importantes na hora da escolha do que vai satisfazer suas necessidades de alimentação. E também o preço da comida é um motivo importante na hora de determinar o que você irá comer. No Egito talvez esse tema seja um pouco complicado, porque 50% da comida que vende na rua e o povo come no dia a dia está bem suja, e 30% faz mal para a saúde, e 10% voce pode comer e depois tem que tomar um comprimido bem forte para limpar o que você ingeriu, e 10% são comidas de restaurantes muito caros que nem dá para chegar perto. E esses motivos faz a comida feita em casa ficar em primeiro lugar na escolha entre as opções de alimentação. Mas no Brasil esse assunto é bem diferente, ou melhor, bem ao contrário. As frutas, verduras, até a comida dos restaurantes são frescas e limpas, não há frutas estragadas no mercado, pode ter até fruta doce e outra amarga, mas sempre frescas. E os preços dos alimentos são bem acessíveis, não e como aqui no Egito, você paga o preço de uma vaca inteira para comer um pedaço de carne!
 
É bom andar em São Paulo, há árvores, ar fresco, sol, som de pássaros e as vezes há chuva e tem lugares para beber café com salgadinhos em todos os cantos da cidade, e dependendo da sua sorte, voce pode ter a chance de ver um filme de criminosos com balas ao vivo, ou filme erótico na sua frente, sem precisar ir ao cinema. Isso para quem gosta de aventuras ou viver perigosamente. Então, pergunto: você pode se adaptar com tudo isso? Deixe que eu explico mais, adaptação em uma nova vida é um assunto importante. Há pessoas qeu ficam gostando de tudo no começo,tudo o que eles encontram eles gostam e falam ^que bom^, ^que beleza^,^que maravilha^, e depois de um tempo eles ficam cuspindo no prato que comeram. E há outros que não gostam no começo e com o tempo eles dão mais chance para seus espíritos e começam a gostar um pouco mais daquele lugar. As pessoas são diferentes, cada um tem seus motivos e suas opiniões. Alguém pode gostar de tudo, da comida, do clima e do povo, e outro não, é claro que não tem nada completo na vida, sempre há falta de alguma coisa, sempre tem um lado que não está completo, a vida é assim, mas na minha opinião, a pessoa deve se acostumar com o ambiente que está ao seu redor ou que Deus te colocou. E essa maneira de pensar facilita muito o poder viver em todos os lugares, e ajuda a se acostumar ou ter forças para poder aguentar. Eu carrego comigo muitas lembranças boas e outras ruins dos meses que passei no Brasil. Gostei que todas as pessoas falam o tempo todo: ^vá com Deus^, ^vem com Deus^, ^fica com Deus^, ^Deus te ajude^, ^Deus lhe pague^…E gostei tambémda paciência que está no povo e como eles se tratam com muito amor, com muita franqueza e muita clareza, e gostei também como els todos vivem em paz, brancos e pretos, ricos e pobres.
 
E adorei os serviços dels e como els te ajuam em todos os lugares e como eles respeitam as regras e as leis, e cada um respeita o outro. Alguém pode falar que eles são assim por causa das leis e as multas, mas eu falo que até fazer isso só por causa da multa é bom…porque vai melhorar a vida dos outros… Gostei muito também da comida do Brasil, eu não tenho papéis suficientes para escrever sobre a comida do Brasil, mas acreditem em mim quando eu falo que no brasil a comida está sempre fresca, limpa, cheirosa, gostosa, colorida, temperada, diferente e deliciosa. No brasil eu aprendi que cada lugar ou pedaço do boi tem um sabor diferente e tem uso diferente. No final eu quero dizer que a comida do Brasil e a melhor que a melhor comida do mundo, mas …. NÃO TEM PÃO EGÍPCIO!!!
Nasceu o sol, e a luz entrou pelas cortinas, era uma luz do sol diferente do que eu já tinha visto antes, era mais forte, mais clara, mais quente. Olhei pela janela e vi uma vista bonita, era uma vista de muitos carros que estavam estacionados de forma organizada, e havia árvores e montanhas. Tomamos um café da manhã brasileiro, bem brasileiro, comemos pãozinho com manteiga e bebemos café, e comemos algumas frutas que eu nunca tinha conhecido antes. Depois de um pouco sumiu o sol e chegaram as nuvens com chuva. Virou inverno, que era verão…Eu gostei da natureza do Brasil, as cores das casas, das árvores, a cor do céu, o cheiro no ar depois da chuva…tudo isso foram coisas que fizeram parte da minha adaptação ao Brasil. Depois de um tempo comecei a encontrar com um povo que só falava uma língua, na padaria, no ônibus, no metrô, na televisão, até no banco. O problema é que eles achavam que é normal falar uma língua só, e querem que você entenda tudo o que eles falam. Eu tentava entender o que eles queriam dizer através do movimento do rosto, ou pelo sorriso ou pelo movimento dos braços, mas deveria aprender mesmo essa língua do Brasil para entender o que eles queriam dizer. Mas eu senti uma vontade muito grande de aprender essa língua para saber o que esse povo falava quando abria a boca…. Fomos para muitos lugares no Brasil, serra, montanha, praia, rios, mercados, feiras de artesanato, monumentos, vi coisas lindas e lugares maravilhosos, vi também 25 de Marçco, Shopping Ibirapuera, Av. Paulista…e sempre ficava admirado com as cores e a organização dos lugares… Sobre os restaurantes, e o que esse povo come, e como eles apresentam a comida, eu tenho muita conversa…rs
 
O clima e a temperatura do Brasil – é preciso palavras e palavras para explicar como é, e também o ar do Brasil, e fica difícil explicar para quem não repirou no Brasil. A primeira coisa que chamou minha atenção quando eu cheguei lá no Aeroporto Internacional de Cumbica, era o cheiro, tinha um cheiro forte, cheiro de que? Não sei, era um cheiro bom, e enquanto nós estávamos andando dentro da sala do aeroporto, passando pelos restaurantes, eu estava olhando para todos os cantos e vi moças bronzeadas com roupa azul e algumas coisas brancas na cabeça que estavam trabalhando nas máquinas de café. Eu senti um cheiro de café muito forte em todos os lugares com cheiro de pão quente que estava mergulhado em manteiga. Esse cheiro entrou no meu nariz s senti como se fosse a primeira vez que eu sentia o cheiro de café na minha vida, e vi todo mundo carregando bandejas com xícaras brancas para direita e para esquerda. Quando eu saí da sala do aeroporto achei e eu estivesse perto do mar, mas não era. Era um cheiro de ar fresco e limpo. E depois eu entendi que sempre tem chuva e sempre vai ter gotas de chuva na sua mão, e isso faz o ar ter sempre essa claridade e frescor.  Lá fomos nós e nossas malas, para o caminho que ia levar a gente para a nossa casa. Os carros corriam um atrás do outro,e foi impressionante para mim ver todos os carros brilhando e tomei um choque quando vi os pneus dos caros pretíssimos como se todos os pneus fossem novos. Na verdade eu gostei muito do sistema de tráfego do Brasil, de como os carros andam dessa maneira organizada que me lembra as esteiras das latas de Pepsi que estão na fábrica. Mas, sinceramente eu posso dizer que eu não consegui dirigir em paz no Brasil, com esse negócio que tem 3 cores que se chama farol, talvez eu não estava acostumado com isso. Porque no Egito os faróis estão sem luz, ou melhor, estão sempre com a luz cor de laranja
Gostei da idéia de viajar para fora do Egito com a mulher que eu amava, para descansar um pouco do meu trabalho que já durava 4 anos, sem férias. Eu sempre viajava dentro do Egito por causa de meu trabalho como tourlleader, mas essa viagem seria bem diferente… Deixei minha família querida com minhas roupas molhadas das lágrimas de minha mãe, irmã e irmãos, e também de minha esposa que estava viajando comigo. Mas eu estava com o coração calmo porque minha família tinha fé e sabiam que eu estava viajando com a mulher que meu coração tinha escolhido. Somente a saudade que ia queimar dentro do peito. Entrei no avião com a roupa ainda molhada, pois minha esposa ainda estava chorando. O avião começou a levantar vôo do chão do meu país, e era a primeira vez que eu iria voar tantas horas, e para tão longe… Duas horas antes da chegada ao Brasil, eu pensei “Se o Brasil for um país ruim ou se eu não gostar de viver lá, vou ter que pegar esse bicho de novo, e passar todas essas horas voando de novo…oh meu Deus! vai ser muito difícil eu decidir voltar para o Egito de novo..” Acho que esse foi um dos motivos também que me fizeram ficar lá por 9 meses…rs
Chegamos ao Aeroporto Internacional de Cumbica, era noite, encontramos com a família de minha esposa, levaram a gente para casa e foram embora.
 
Minha querida pediu uma pizza, e logo depois chegou um menino que estava carregando uma bacia grande de isopor, eu achei que tinha chegado a hora de lavar as roupas ou a escada do prédio. O menino abriu a bacia e pegou uma pizza grande, cheirosa e quente de dentro dela, e havia algumas moedas em cima da caixa da pizza, coladas com durex. Não entendi porque essas moedas estavam ali e porque a pizza estava dentro dessa bacia, mas eu estava cansado da viagem e não tinha cabeça para pensar. Dei a nota de dinheiro para ele que a minha esposa tinha me dado e falado “When the man of pizza come, give him this money”…e foi isso que aconteceu. (mais tarde vim a saber que essas moedas eram o troco, e que eu deveria dar de gorjeta para o menino…rs) O menino olhou para mim e falou alguma coisa, não sei o que ele falou para mim, mas achei que era uma coisa boa, pois ele estava sorrindo. Nem soube dizer essas palavras novamente para minha esposa para saber o que significava. Era minha primeira vez que encontrava com a pizza da pizzaria Sabor frente a frente ( que veio a ser nosso jantar de todo sábado…rs), e a cada mordida na pizza eu comecei a gostar da minha nova vida mais e mais, e também estava feliz dentro de mim porque tinha impressão que não iria pegar aquele bicho grande chamado avião, de volta para o Egito tão cedo…ia passar um tempo até eu esquecer essa surra que durou quase 20 horas…
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